sábado, 15 de agosto de 2015

Ponto de Encontro 15/08!!!

 SÁBADO – 15/08
Happy Hour ANDRÉ ONN (voz e violão) – A partir das 19 horas

FESTA DO CACHORRO LOCO com a Banda D´OUTROLADO
A partir das 22horas
Entrada Franca
A BANDA D´OUTROLADO (Paulo Pinheiro, Rafaelo de Góes, Gean Simas e Amauri), anima a Festa do Cachorro Loco do Bar ZéPelin Itajaí. No repertório clássicos do rock nacional e internacional.

Programação 15/08/2015

Confira a programação de hoje:


Espetáculo: A Pereira da tia Miséria – Grupo Às de Paus – Londrina/PR


Sinopse: A Fome personificou-se em uma criança nascida da Miséria, separou-se de sua mãe e, desde então,
 percorre o mundo trazendo sofrimento a todos. Tia Miséria, no dia em que deveria morrer, engana a Morte, que acaba ficando presa em sua árvore. Em um acordo feito diante do olhar de todos, Tia Miséria liberta a Morte e pede em troca que a sua vida não seja levada. Decide, então, viver ingenuamente procurando pelo seu filho para que, somente junto dele, possa abandonar este mundo que nunca os quis.


Local: Rua Hercílio Luz, Centro, Itajaí – SC. Em frente a Casa da Cultura Dide Brandão.
Horário: 11:00
Classificação etária: Livre.

Duração: 50 minutos
Ficha técnica:
Direção: Núcleo Ás de Paus
Texto: Luan Valero
Concepção e Direção Musical: Eric D’Ávila
Figurinos: Alex Lima
Cenografia e Bonecos: Rogério Costa e Alex Lima
Elenco:
Adalberto Pereira
André Demarchi
Camila Feoli
Rebeca Oliveira de Carvalho
Rogério Costa
Thunay Tartari
Contrarregra: Artur Junges.
Produção: Núcleo Ás de Paus.


Espetáculo: A máquina de dar certo – Cia Bruta – São Paulo/SP

Sinopse: Pessoas trancadas em um cômodo são submetidas a uma série de estímulos sonoros e visuais para a espetacularização do condicionamento humano. Como nos experimentos de Frederick Skinner, elas são constantemente testadas: têm que executar as tarefas e coreografias determinadas por um comando cuja identidade é desconhecida. 

Local: Teatro Municipal de Itajaí
Horário: 20:30          
Classificação etária: Livre.

Duração: 80 minutos.
Lotação: 505 Lugares.

FICHA TÉCNICA
Direção: Roberto Audio
Atores: Ana Lúcia Felippe, Angela Ribeiro, Dagoberto Macedo, Marba Goicochea, Paulo Maeda, Ricardo Socalschi, Taiguara Chagas, Teka Romualdo, Thammy Alonso e Wanderley Salgado.
Assistente de Direção: Paulo Maeda
Iluminação: Paulo Maeda e Mário Spatziani
Direção de movimento: Fabiano Benigno
Trilha Sonora: Cia. Bruta de Arte
Edição de trilha: Thammy Alonso e Diego Rodda
Música Original: Helder da Rocha
Figurinos: Angela Ribeiro e Melissa Campagnolli
Fotos: Giorgio D’Onofrio
Projeto Gráfico: Angela Ribeiro
Produção: Cia. Bruta de Arte 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Critica - As Pessoas de Minha Pessoa por Valmir Santos

A falta que a alteridade faz

Valentim Schmoeler é Fernando Pessoa, o trio de heterônimos do poeta e ele mesmo, Valentim Schmoeler. A despersonalização dramática que o escritor português concebeu de modo genial para deslocar-se das ideias, sentimentos e emoções do outro, sobretudo em Alberto Caeiro, tem pouco relevo em As Pessoas de Minha Pessoa. O ator não recua da sua personalidade artística em franca mitificação do autor português, abdicando de maiores ambições formais ao escolher as artes cênicas como expressão desse material poético.

Fica evidente o recurso à palavra como veículo seminal dos estados de alma, o caráter devocional. No entanto, as paisagens vão se desbotando porque não encontram a força correspondente nas especificidades do teatro e sua margem infinita de invenção.

Certa vez, em nota sobre a heteronomia, Pessoa afirmou: “Há em nós um espaço interior onde a matéria da nossa vida física se agita”. Esse rumor não trasborda em cena enquanto linguagem.

Quando algum intento estético se insinua, é acanhado, o verbo se impõe. A direção de Rafael Orsi de Melo serve à mesma convicção. Enfeixa sobre o texto um tom absoluto que torna tudo o mais periférico. A luz e a trilha ilustrativas são exemplos da falta de autonomia.

O tratamento realista insiste na reprodutibilidade de época dos figurinos, móveis e até da língua portuguesa mãe. Nada que escape ao imaginário identificável, inclusive na hora de reunir as criações mais célebres dos heterônimos em questão.

Talvez o formato ideal para essa experiência fosse a declamação direta de Schmoeler. A função pedagógica em difundir a arte do “fingidor”. E não o pretexto de encenar uma obra com as perspectivas lírica, épica, dramática e afins na sincera saudação a Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, conforme a ordem de entrada no roteiro antecedida pelo prólogo com a figura de Pessoa em si.

Na semiarena adaptada ao palco, com o público sentado ao redor, a atmosfera intimista, o suor no rosto e os olhos marejados desse veterano do ofício comunicam um ser apaixonado pelas artes literárias e cênicas (à frente da Bagagem Cênica Cia. de Teatro). Ao mesmo tempo, a proximidade expõe o quanto a obsessão pela fidelidade o distancia de uma das naturezas-chave da obra pessoana que é também a de experimentar.
 

Com a impossibilidade de confrontar algum nível de alteridade na visita à obra do escritor que se deixou imortalizar por ela, o espectador que não é de Itajaí consola-se com a oportunidade de conhecer o personagem de si que é Valentim Schmoeler ao tomar o poeta pelas mãos e bebericar uma taça de vinho devidamente acompanhado por copo d’água ao longo da apresentação.

Ponto de Encontro 14/08!!!

SEXTA – 14/08
Happy Hour RAFAELO DE GÓES (voz e violão) – A partir das 19 horas

SAMBA DE BÁRbara – A partir das 22 horas
Entrada Franca

A cantora Bárbara Damásio apresenta o projeto Samba de BARbara, onde brinca com a filosofia do samba de bar, inspirada em cantores como: Arlindo Cruz, Chico Buarque, Maria Rita, Martinália, Roberta Sá e outros. Nesta Roda de Samba, Bárbara Damásio (voz e pandeiro) será acompanhada pelos músicos: Willian Goe (bateria e percussão) e Rafaelo de Góes (violão).
A densidade da pesquisa musical desenvolvida pela musicista Bárbara Damásio impressiona se considerarmos os seus apenas 28 anos. A artista que iniciou seus estudos em música aos sete anos, considera o marco para a carreira profissional sua apresentação no show de abertura de Leny Andrade, no Festival de Música de Itajaí, em 2007. Foi também a partir de 2007 que passou a conceber projetos que culminaram nos espetáculos: "Bárbara Canta Chico" (repertório composto exclusivamente de canções do Chico Buarque) - 2007/2008; "Na Beira do Roçado" (em homenagem aos ritmos do sertão) – 2009; e "Você é mesmo esta Flor" (proposta apresentada para esta turnê) - 2010.
O show “Você é mesmo essa flor”, que contou com as participações de Guinha Ramires (violão), Rubens Azevedo (sopros) e da cantora Elza Soares, foi concebido pela cantora Bárbara Damásio e apresentado no Teatro Municipal de Itajaí, em junho de 2010. No repertório, músicas de artistas catarinenses por nascimento ou opção. O resultado foi registrado no DVD “Você é mesmo essa flor”, lançado em 2014.

Critica - As Pessoas de Minha Pessoa por Luciana Romagnolli

Uma reverência às várias faces de um fingidor

Tão escasso é o espaço para a poesia em nossos dias, arte que entre os modernistas atingiu altíssima elaboração estética antes de desconstruções mais radicais ao longo do século XX, que ouvir generosos trechos da obra de Fernando Pessoa é um prazer estético por si só significativo. Falar da vastidão da obra do poeta português é pouco quando são muitas obras em uma; cada qual com seus traços formais, éticos, cosmológicos e subjetivos singulares. Mares profundos que apontam na superfície da costura dramatúrgica do monólogo “As Pessoas de Minha Pessoa”, de Valentim Schmoeler.
O veterano ator, pioneiro formador do teatro itajaiense, reverencia a poesia e a personalidade de Pessoa e seus heterônimos. Centrado nos versos, o espetáculo afasta-se do formato recital para investir na interpretação – tantos da palavra poética quanto dos personagens Fernando, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro. Desse modo, sustenta-se nas convenções teatrais e num registro de representação mimético, encaixado na forma dramática tradicional, embora tensionada pelo lirismo literário.
A construção do(s) personagem(ns) faz-se sobretudo pela imitação cuidadosa do sotaque português e pela corporeidade austera de um senhor do século passado. Apesar da opção mimética, o Pessoa de Valentim personifica uma figura distinta do imaginário comum produzido pelos registros que se tem do poeta, morto precocemente aos 47 anos. Um homem mais maduro – nesse sentido, talvez, misto das idades de seus heterônimos e da pessoa de Valentim –, de modos cerimoniosos, cujas alternâncias de personalidade são marcadas por variações no figurino e de tonalidade do humor, mantendo sempre um tom passadista, acentuado pela construção do espaço cênico como uma síntese realista do gabinete do escritor.
A ação é reduzida, visto que prevalece a alusão pela palavra – é desta que hão de vir as imagens impregnadas nos poemas, pelo apelo à razão e à emoção. Valentim prima pelo bem dizer do texto, transformando versos líricos ou narrativos em monólogos e diálogos dramáticos, com uma forte carga interpretativa acompanhada do certo didatismo, não somente nas apresentações dos heterônimos, mas também nas entonações explicativas e ilustrativas dos significados expressos pelas palavras. A direção econômica de Rafael Orsi de Melo deixa espaço para a centralidade da atuação; e rege todo o espetáculo uma lógica ilustrativa, pela qual as camadas expressivas reiteram-se, especialmente notável na gestualidade e na entonação do ator tanto quanto na música de fundo.
Por vezes, sente-se também a literalidade na interpretação de alguns versos cujos sentidos deslizam ambíguos numa leitura subjetiva. A ironia presente em poemas como “Todas as cartas de amor são ridículas” é substituída então por uma dramatização enfática, exaltada. Num escrito como o “Poema em linha reta (“Nunca conheci quem tivesse levado porrada”....), esta voltagem representativa encontra o tom para conferir fragilidade àquele homem em cena. As personalidades dos heterônimos misturam-se aos poemas, interferindo em suas tonalidades. Álvaro de Campos talvez seja o mais afetado por essa operação, pois que a acidez sagaz de seu olhar sobre o mundo recobre-se do mau-humor que o caracteriza como personagem.
Heterônimos adentram o pequeno corredor entre as plateias numa ordenação linear de quem inicia o espectador na poesia do mestre português. Para isso, busca uma relação cordial com o público. A somatória de versos atribui coerência narrativa às inter-relações semânticas, de modo que a passagem de um a outro é feita coloquialmente – mesmo que, na dramatização de poemas inteiros tornados cenas, as citações-aforismo, tal qual “tudo vale a pena se a alma não é pequena” (que se emancipou dos outros versos sobre a travessia marítima), destoem pela excessiva repetição, que os faz refrão imediatamente reconhecível. Com a força e a superficialidade dessa condição.

Representar um sujeito com a genialidade expressiva de Fernando Pessoa costuma colocar atores de uma vertente mais clássica em posição de reverência. Não é diferente em “A Pessoa de Minha Pessoa”. A liberdade de apropriação e reinvenção vai a contrapelo da deferência; enquanto esta define as fronteiras de uma representação de anseios realistas.

Programação 14/08/2015

Confira a programação de hoje:


Espetáculo: O quadro de todos juntos – Pigmaleão, esculturas que mexem – Belo Horizonte/MG


Sinopse: Uma família posa para um retrato. O instante de um flash revela além da superficialidade. Mostra a frágil estrutura por trás dessa imagem perfeita. Segredos postos ao chão. Suspensão do tempo. Cada um de seus integrantes expõe seus mais íntimos e secretos desejos. Todos são espelhos. Todos juntos. Um encontro de família em que a realidade, o simulacro e o delírio confrontam-se em um quadro mais que verdadeiro.

Local: Teatro Municipal de Itajaí
Horário: 20:30
Classificação etária: 16 anos.

Duração: 60 minutos.
Lotação: 505 Lugares.

Ficha técnica:
Autor: Eduardo Felix
Direção: Eduardo Felix e Igor Godinho
Criação de bonecos: Eduardo Felix
Construção de bonecos, cenografia e adereços: Aurora Majnoni, Cora Rufino, Diogo Netto, Eduardo Felix, Igor Godinho, Leonardo Martins, Liz Schrickte, Michelle Campos, Mauro Carvalho, Mariana Teixeira, Hugo Honorato, Douglas Pêgo, Camila Polatscheck
Elenco: Aurora Majnoni, Cora Rufino, Eduardo Felix, Liz Schrickte, Mauro Carvalho, Mariana Teixeira e Marina Arthuzzi
Figurinos: Maria do Céu Viana.
Iluminação: Igor Godinho

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Critica - Esse Corpo Meu? por Luciana Romagnolli

Uma poética da libertação dos corpos

É próprio da performance como campo de conhecimento superar o

logocentrismo, que concentra o saber humano somente na razão e nos
discursos, e o pensamento binário, que constitui pares dicotômicos
hierárquicos e excludentes, como sujeito/objeto, mente/corpo, razão/emoção,
homem/mulher, masculino/feminino. Com isso, não somente valoriza os
saberes do corpo, mas coloca em xeque questões de gênero e identidade.

A performatividade é um conceito sobre o qual muitos já escreveram. Dentre
elas, Judith Butler, no viés do feminismo e da teoria queer, pensando o
processo de constituição do gênero por meio da internalização das normas do
que é ser homem ou ser mulher, manifestas nos corpos.  E Josette Féral e
Erika Fischer-Lichte, ao apresentarem teatro performativo como aquele no qual
a presença sobrepõe a representação.

“Esse Corpo Meu”, criação da Téspis Cia de Teatro, de Itajaí, com a Periplo
Compañia Teatral, de Buenos Aires, trafega por esses dois territórios, da
performatividade de gênero e teatral, com admirável habilidade em colapsar a
oposição entre forma e conteúdo. Max Reinert e Denise da Luz corporificam os
estereótipos do masculino e do feminino e os lançam num jogo de intercâmbios
e mutações, que desestabilizam o binarismo dessa oposição, mostrando
possibilidades transgressoras e transitórias.

Trans. Eis o prefixo-chave, já transformado em conceito. Remete ao universo
da diversidade sexual, nas figuras de travestis e transexuais, não como novas
categorias estanques, mas, justamente, como a liberdade de transcender
categorizações, transitar “entre”, “além” dos polos dos binômios. Nesse sentido,
além de um movimento no campo dos direitos humanos fundamental em
nossos tempos, o “trans” transpõe qualquer gueto para afirmar a liberdade do
ser, a possibilidade de desvencilhar-se dos restritos padrões normativos da
constituição da identidade. Assim, liberta cada indivíduo de experimentar sexo
e gênero como aprisionamento.  

Em Belo Horizonte, “Esse Corpo Meu” encontra um espelho: o espetáculo
“Trans”, do coletivo This is noT, realizada pelos performers Guilherme Morais e
Ana Luísa Santos. As coincidências são várias, desde o diálogo com a
argentina, a partir das pesquisas sobre identidade de gênero da ONG Futuro
Transgenérico e da artista trans Susy Shock, até questões formais mais
específicas, como as imagens do duplo, configurada pelos atuantes, e a
simultânea frente de batalha nos campos da linguagem, da imagem e do corpo.

Ao traçar outras conexões entre o espetáculo da Téspis se a cena teatral
brasileira mais contemporânea, percebe-se a força estética e ética de um
conjunto de trabalhos. Ainda na capital mineira, uma das criações mais
desafiadoras do ano passado foi a cena “Não conte comigo para proliferar
mentiras”, dirigida por Alexandre de Sena, somando perspectivas críticas de
cor, classe e gênero; e “Rosa Choque”, sob a direção de Cida Falabella, e
“Calor na Bacurinha”, quando dirigida por Marina Viana, embora não abracem
frontalmente a questão trans, desconstroem estereótipos da performance de
gênero e do ser mulher. Já em Curitiba, há os trabalhos da Selvática Ações
Artísticas, dentre os quais “As Tetas de Tirésias”, mito transgênero primordial,
lembrado também no espetáculo de Itajaí.

O que faz desses trabalhos tão desafiantes para o espectador – falando
especificamente de “Esse Corpo Meu” também –, é a construção dramatúrgica,
energética e espetacular não de uma alegação, certeza ou defesa de ponto,
cristalizadores das ideias e das ações, mas de um questionamento. Uma crise.
Uma indagação.

Para isso, é determinante a não coincidência entre a cena visual e a cena
sonora – entre os movimentos dos corpos presentes e as vozes
desencarnadas em off. O tratamento poético dado às palavras mas também
sua forma de emissão, em eco, entre ruídos sonoros que remetem ao futurismo
oitentista de ciborgues transumanos. O caráter simbólico dos movimentos dos
atuantes, construídos numa operação de estilização que transforma os gestos
mais cotidianos, clichês de gênero, em estranhamentos.

A expressividade corporal de Max e Denise delineia-se plástica e
discursivamente como produtora de imagens impregnadas de simbolismo.
Vestir uma roupa corresponde a vestir um papel social, ou igualmente desvesti-
los, e o preparo corporal de ambos permite o livre trânsito pela gramática do
feminino e do masculino. Quando finalmente as gestualidades se confundem,
inclassificáveis, os braços enfim se soltam, livres dos gestos pré-programados
da moça e do macho, e dançam explorando o espaço.

A cena da construção da mulher perfeita é exemplar: impressiona o quanto se
reconhece do ideal feminino socialmente aceitável no frankstein-mudo. Este e
outros momentos ainda fazem pensar sobre a complexa relação entre a
construção do feminino pelo corpo-mulher e pelo corpo-homem. A diva loira
como algo do qual a mulher precisa se libertar, mas que o corpo-homem, se
não cisgênero nem heteronormativo, almeja como libertação.

Corpos e sons geram uma atmosfera sinestésica, uma sensibilidade particular,
de uma delicadeza estranha, leve acidez afetiva a corroer pouco a pouco as
certezas do espectador. O que se faz no palco, segundo o próprio texto, é a
paródia da paródia da paródia. O humano que imita o humano que imita o
humano que imita. As figuras em cena insistem em risos satíricos – riem de si
ou de nós? Recobrem com uma camada de cinismo tudo o que mostram.

Na apresentação realizada no IV Festival Brasileiro de Teatro Toni Cunha, a
presença de uma turma de estudantes na plateia extravasou o difícil convívio
desse tipo de proposição cênica com um público indisposto ao confronto
estético, manifesto no fiufiu sexista, na surdez e na cegueira eletivas para o
que não se quer enfrentar – atitudes comuns a outros estratos da sociedade
menos dispostos a se autodenunciarem em gritos adolescentes.

Diante de cenas sugestivas como a bolinha que repetidamente rola do homem

em direção ao meio das pernas da mulher e o brincar de carrinho e de boneca,
entrevê-se a puerilidade da heteronormatividade castradora. Mas “Esse Corpo
Meu” não trata o espectador como criança. O cinismo é um modo de olhar para
esse indivíduo infantilizado socialmente pela simplificação normativa,
padronizada e binária do mundo como o adulto que ele é.

O espectador olha para a cena ou a cena olha para o espectador?